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PACTO EDUCATIVO GLOBAL

Audiência pública aborda problemas da educação em Roraima

Tema da Campanha da Fraternidade 2022 quer levantar questões sobre educação na perspectiva católica; debates visam articular ações com comunidade
Foto: SupCom/ALE-RR

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Por Kátia Bezerra

Diálogos a partir da realidade da educação em Roraima foi um dos pontos mais discutidos durante a audiência pública sobre a Campanha da Fraternidade 2022: Fraternidade e Educação, com o lema “Fala com Sabedoria, Ensina com Amor”.

O debate foi proposto pelo deputado Evangelista Siqueira (PT), presidente da Comissão Permanente de Educação e Desportos da Assembleia Legislativa, e contou com a participação de entidades estaduais e federais ligadas à área, representantes de classe e de escolas particulares, Diocese de Roraima e público em geral.

O evento foi realizado de forma híbrida (presencial e online) e transmitido ao vivo pela TV Assembleia (canal 57.3), rádio Assembleia (98.3) e redes sociais da Casa (@assembleiarr). Essa é a terceira vez que a Igreja Católica brasileira vai aprofundar o tema da educação em sua campanha anual. A novidade deste ano é um debate mais amplo sobre o Pacto Educativo Global, convocado pelo Papa Francisco.

Um vídeo com o hino oficial da campanha foi exibido antes do início dos debates. Evangelista Siqueira, que também é professor e católico praticante, relembrou a mudança significativa do processo de educação em tempos de pandemia e afirmou que é necessário o retorno das aulas 100% presenciais.

“Todos sabem das dificuldades que os educadores estão enfrentando para a retomada presencial das aulas, no ambiente pandêmico que ainda estamos passando, e precisamos voltar à nossa normalidade”, considerou.

Dom Mário Antônio, arcebispo de Roraima, que já está de malas prontas para o Mato Grosso, onde ocupará o cargo de arcebispo, explanou sobre como foi criado o texto-base para a campanha e lembrou dos migrantes venezuelanos, das comunidades indígenas e dos menos favorecidos. Ele afirmou que o momento é singular e importante para novas tratativas para a renovação da educação no país.

“Quando vejo o rosto de vocês, educadores, tenho esperanças. Estamos aqui para uma ação muito nobre. É um instante de reflexão. A campanha da fraternidade nos interpela bastante, pois entendemos que é o primeiro passo que esta Casa nos oferece para a discussão do tema que não é novo, mas os diálogos precisam ser renovados. Educar é um ato eminentemente humano, mas também divino, pois as palavras de Jesus nos ensinaram isso, é um caminho educativo”, ponderou.

A secretária estadual de Educação, Leila Perussolo, explicou como a secretaria pode contribuir para que o tema da campanha seja discutido nas escolas estaduais.

“Estamos abertos a palestras educativas com a comunidade, podemos articular com o Ceforr [Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima] para serem inseridos nas formas de educação continuada, adicionando essa temática nos encontros, e ainda promover, em parceria com a ALE, um concurso de redação para nossos alunos, para crianças menores, sobre o tema da campanha. Estamos abertos para trazer esse tema como parte integrante do currículo escolar”, revelou.

O reitor da Universidade Federal de Roraima (UFRR), José Geraldo Ticianeli, garantiu empenho para ampliar as discussões sobre o processo educacional no contexto católico. Ele é membro da pastoral familiar da comunidade São Francisco, em Boa Vista, e reiterou a importância da educação em tempos pandêmicos, afirmando que vai articular as propostas do Pacto Educativo Global na instituição de ensino superior.

“A educação foi muito fragilizada e nesse momento que vivemos com novas tecnologias, WhatsApp e redes sociais, precisamos retomar nossa fala e ensinamentos educativos na formação de grandes profissionais da educação, mas principalmente humanos e cidadãos. Vamos resgatar nossa pastoral universitária, que foi muito fragilizada com a pandemia. Vamos colocar nossa instituição de ensino à disposição”, explicou.

A professora Antônia Pedrosa é militante pela educação no Estado há anos e participou como representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Roraima (Sinter). Ela elencou problemas estruturais no setor, falou dos problemas advindos com a pandemia e ressaltou a importância da educação pública de qualidade.

“Num momento em que a educação e profissionais estão desvalorizados, sendo colocados à prova a todo instante, é muito importante falarmos em fraternidade e educação. Precisamos lutar por mudanças. Que o espaço escolar seja acolhedor, que atenda o público docente, que ensine com amor e dedicação”, observou.

A Campanha da Fraternidade teve início no dia 2 de março, na Quarta-feira de Cinzas, início do período da Quaresma, que simboliza o tempo litúrgico em que os católicos são convidados à reflexão pessoal e introspecção e remete aos 40 dias que Jesus passou no deserto, em jejum e oração, preparando-se para a Paixão e morte.

Há 60 anos, a CNBB propõe temas para serem discutidos durante a Quaresma. O assunto educação está sendo proposto pela terceira vez no Brasil.

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