O setor da construção civil começou em 2026 movido por transformações sustentáveis, eficientes e produtivas, além da adoção de tecnologias avançadas que deixaram de ser apostas para se tornarem criteriosas no mercado. Em todo o Brasil, e especialmente em Roraima, empresas começam a redefinir suas práticas sob três grandes pilares: construção sustentável e materiais inovadores, construção aditiva (impressão 3D) e infraestrutura verde conectada às cidades inteligentes.
A valorização de modelos com baixo impacto ambiental e uso intensivo de processos industrializados vem acompanhada de um contexto otimista, o número de empresas do setor no estado cresceu 80,47% entre 2019 e 2024, segundo o Sebrae/RR. O cenário, embora dinâmico, impõe novos desafios de gestão, qualificação e tecnologia.

Construção sustentável e materiais inovadores
Para a gestora de projetos do Sebrae Roraima, Solange Minotto, a sustentabilidade já não é apenas um diferencial. “Ela se tornou um requisito de competitividade. O órgão tem atuado em várias frentes para consolidar essa agenda. Entre eles, o projeto RR Construção e feiras como a Construa Mais, que reuniu em Boa Vista fornecedores, construtechs e especialistas, fomentando uma troca de conhecimento sobre eficiência energética, redução de resíduos e uso de materiais alternativos,” afirma.
Segundo Solange, a sustentabilidade envolve mais do que aplicar boas práticas ambientais. “É gestão, planejamento e visão de longo prazo. Crescer rápido é bom, mas o verdadeiro desafio é garantir que esse crescimento seja sustentável para os pequenos negócios,” explica.
O Sebrae também desenvolveu uma ferramenta de diagnóstico clique aqui e confira ESG, voltada para empresas que desejam avaliar seus indicadores de governança, responsabilidade social e impacto ambiental. “Com esse instrumento, é possível identificar pontos de melhoria e se preparar para novos critérios de mercado e das instituições financeiras,” complementa.
A pressão para comprovar práticas sustentáveis cresceu em 2026. Bancos e investidores passaram a exigir certificações ESG mais rigorosas como condição para crédito. Isso tem impulsionado a adoção de vidros fotovoltaicos, fachadas inteligentes e sistemas construtivos de baixo carbono, tecnologias que começaram a surgir nas obras de Boa Vista.
Light Steel Frame
Quem está na linha de frente dessa transformação em Roraima é o engenheiro José Lurene Avelino Júnior, responsável pela primeira casa construída em Light Steel Frame (LSF) no estado, no bairro Caçari. Ele acredita que o método conhecido como construção a seco representa um salto de eficiência e sustentabilidade.
“O LSF é um sistema que dispensa o uso de água, cimento e argamassa na estrutura. Utiliza componentes industrializados e recicláveis, reduz drasticamente os resíduos e permite uma montagem precisa, como um LEGO,” explica Avelino Júnior.
A obra, que em apenas 50 dias já havia concluído o térreo, o primeiro pavimento e as instalações, mostra o potencial do sistema para industrializar a construção civil. Segundo o engenheiro, uma residência de alto padrão que levaria um ano para ser finalizada no método convencional pode ser entregue em até seis meses pelo novo modelo.
Além de ser mais rápido e limpo, a técnica oferece isolamento térmico e acústico superior, tornando-se uma alternativa viável para o clima quente de Roraima. “É uma construção com Selo Verde, que reduz o consumo energético e amplia o conforto do morador,” reforça Avelino.
Esse tipo de avanço se conecta diretamente à tendência da construção sustentável e de materiais inovadores, uma das que devem dominar o setor em 2026. Para especialistas, o protagonismo da construção marca o início de uma nova fase: obras mais rápidas, previsíveis e de menor impacto ambiental.
Conectando cidades inteligentes e infraestrutura verde
Outra frente que ganha força no estado é o conceito de infraestrutura verde, fortemente ligado às chamadas cidades inteligentes. Trata-se de integrar sustentabilidade urbana e tecnologia, por meio de sistemas de energia renovável, monitoramento digital de recursos e planejamento urbano eficiente.
Essas soluções vêm sendo debatidas em projetos-piloto que envolvem desde redes elétricas inteligentes até edificações com sensores de consumo e aproveitamento de água. “A construção e a tecnologia caminham juntas para criar cidades mais conectadas e resilientes,” destaca Solange Minotto, que acredita que Boa Vista tem potencial para se tornar referência amazônica nesse campo.
Expansão regional e novas oportunidades
Na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON-RR), Clerânio Holanda, Roraima está diante de um momento histórico. Além do boom interno de obras residenciais e verticais, o estado desponta como potencial exportador de serviços de construção para a Guiana.
“A Guiana vive um dos ciclos de crescimento mais rápidos do mundo e precisa de infraestrutura em todos os setores. Roraima tem uma vantagem natural: proximidade, experiência amazônica e capacidade de mobilização,” afirma Holanda.
Segundo ele, o grande diferencial do estado não é exportar apenas mão de obra, mas serviços de alto valor agregado, como projetos, gerenciamento de obras e soluções industrializadas. “Se houver segurança jurídica e organização institucional, Roraima pode se consolidar como um hub regional da construção, atendendo de forma competitiva às demandas da Guiana,” avalia.
Clerânio também vê 2026 com otimismo. “Teremos registro de investimentos na Minha Casa, Minha Vida e novos empreendimentos verticais. A procura por imóveis está aquecida; quase metade da população planeja comprar uma casa nos próximos dois anos,” comenta.
O futuro é verde, digital e colaborativo
Com a sustentabilidade se tornando fator decisivo para a competitividade, e a tecnologia reconfigurando o modo de construir, 2026 inaugura uma década de construção inteligente e de baixo impacto. Sistemas como Steel Frame, Wood Frame e impressão 3D, embora ainda incipientes na região, apontam para um futuro em que a industrialização e o digital serão o padrão do setor.
A combinação de formação de mão de obra comprometida, gestão eficiente, parcerias institucionais e agenda ESG sólida será o diferencial para as empresas que desejam prosperar nesse novo ambiente. Como resume Solange Minotto, “o setor vive um momento de expansão, mas só quem investe em planejamento, capacitação e inovação vai transformar o crescimento em sustentabilidade de longo prazo.”
Fonte e imagens: SEBRAE-RR DA ASN RORAIMA– Leia a matéria completa aqui