DIA DO TAQUÍGRAFO

‘Delicadeza e perspicácia’: profissionais são fundamentais para exercício da atividade parlamentar

Entre as oito taquígrafas da Assembleia Legislativa, seis delas são constituintes
Foto: Jader Souza
Equipe de taquígrafas da ALE-RR, da esquerda pra direita Helen Rita, Cíntia, Mara, Lucineide, Maria Eliene

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Por Suzanne Oliveira

Nesta terça-feira (3), é celebrada nacionalmente uma das profissões mais antigas do mundo, a de taquígrafo. Em Roraima, ela foi instituída com a criação da Assembleia Legislativa (ALE-RR), em 1991. Além do Parlamento, profissionais da área também atuam no Poder Judiciário roraimense.

O presidente da ALE-RR, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), destacou a dedicação e a importância das taquígrafas para o exercício da atividade parlamentar. “São elas que acompanham e registram todo o nosso trabalho, todas as nossas atividades em plenário, nada escapa aos ouvidos e mãos atentas, fica tudo registrado”, avaliou.

O setor de taquigrafia da Assembleia Legislativa iniciou com 18 profissionais, sendo 17 mulheres e um homem. Atualmente, oito taquígrafas desempenham a função, sendo que seis ainda são constituintes: Ana Rita Alves Barreto, Jucilene Aparecida Gomes dos Santos, Lucineide Coutinho de Queiroz, Mara Cristina Coelho, Maria Eliane Leite e Salete Soares. Já Cíntia Xavier e Helen Rita Andrade Peixoto ingressaram na carreira na segunda metade da década, em 1996 e 1998, respectivamente.

Elas conseguem transcrever com rapidez incomum, por meio de abreviaturas ou símbolos, as palavras de um orador, reproduzindo-as fielmente em texto escrito. Também registram tudo o que acontece em sessões plenárias e solenes, audiências públicas, reuniões de comissão e CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito).

As profissionais do Legislativo falaram um pouco do trabalho que foi realizado nessas três décadas. Elas tiveram um papel fundamental na construção da Constituição Estadual, desde a participação em ações itinerantes em busca de subsídios com os deputados para a elaboração do documento até a digitação da Carta Magna.

“Nós participamos de todo o processo e foi muito gratificante. A gente foi a todos os municípios. Não faltou nenhum. Dividíamos as equipes e ia uma turma para cada lado. Todo mundo participou ativamente para colher subsídios para esse processo da nossa Constituição”, relembra Mara Cristina.

No início, segundo elas, as atas eram feitas na máquina de datilografia. “Algumas [atas] chegavam a ter mais de cem páginas e, para passar tudo para o papel, levávamos horas e ficávamos na sala até de madrugada. Além disso, o Estado sofria com recorrentes faltas de energia e muitas vezes tivemos que trabalhar à luz de velas”, conta Ana Rita.

Entretanto, de acordo com ela, mesmo com as dificuldades impostas pela inexperiência e recursos escassos, a adaptação foi rápida. “A Assembleia Legislativa estava começando, eram duas máquinas para 18 pessoas, não tinha cadeira, ficávamos sentadas no chão, revezando, era bem complicado. Mas, mesmo com toda a dificuldade, foi uma época boa, nos adaptamos rapidinho. Alguns anos depois, as meninas [Cíntia e Helen] se juntaram a nós”, disse.
Valorização da profissão

Com o decorrer dos anos, toda a estrutura física e logística da Assembleia Legislativa foi modificada. O trabalho também foi modernizado e passou a ser otimizado. “Não se comparam os recursos que temos hoje aos que tínhamos no início. Passávamos um tempão para entregar uma ata porque era difícil, muito complicado. Tinha que escrever, datilografar. Para, muitas vezes, apagar e escrever tudo novamente, era muito difícil. Agora não, é tudo informatizado”, comemora Mara Cristina.

No entanto, conforme análise de todas, o profissional da área “ainda não foi reconhecido como deveria”. No último certame realizado pelo Poder Legislativo, em 2018, nenhuma vaga de taquígrafo foi preenchida e a falta de profissionais novos as preocupa. “Desde o início, é a mesma equipe. Muitas de nós tiveram lesões e a maioria já está em processo de aposentadoria. Já contribuímos para a construção do Legislativo e temos orgulho disso, mas, se não houver valorização, a taquigrafia vai acabar. Para fazer o trabalho que a gente faz, um digitador não consegue”, enfatizou Mara Cristina.

Para Cíntia, o profissional da taquigrafia precisa estar preparado, não basta ter conhecimento de digitação, é preciso mais. “Tem que ter aquele olhar com cuidado para detalhes, para conseguir transferir tudo da forma como foi dito. Tem que saber passar para o papel a emoção que ele [parlamentar] transmite no plenário e a taquígrafa tem essa delicadeza e perspicácia, de fazer todo esse apanhado, transportar [para o papel] e fazer esses documentos que vão ficar registrados nos anais da Casa”, completou.

 

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