Pesquisar

AGOSTO DOURADO
Leis estaduais incentivam o aleitamento materno em Roraima

Divulgação/Fonte

Compartilhe:

Nem sempre a amamentação começa de forma fácil. Entre a adaptação da mãe e do bebê, surgem dúvidas, desafios e, muitas vezes, dor. Ainda assim, milhares de mulheres seguem firmes nesse processo, movidas pelo desejo de oferecer o melhor alimento aos filhos e construir um dos primeiros vínculos afetivos da vida.

É para reforçar a importância desse gesto que o mês de agosto é marcado pela campanha Agosto Dourado, mobilização dedicada à conscientização sobre o aleitamento materno. Em Roraima, esse cuidado é incentivado por diversas leis aprovadas na Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), que garantem direitos às mães, como a ampliação dos espaços de apoio à amamentação.

A pediatra Ana Carolina Brito destaca que o leite materno é o alimento mais completo para o desenvolvimento do bebê.

Segundo a pediatra Ana Carolina Brito, quando o leite materno é o único alimento indicado nos primeiros meses de vida do bebê. “O leite materno é capaz de oferecer todos os nutrientes necessários para o ganho de peso, o ganho de estatura, o desenvolvimento e o amadurecimento imunológico, protegendo-o contra doenças. Quando a amamentação flui de maneira correta, o bebê não precisa de nenhum outro alimento nos primeiros seis meses de vida”, frisa.

 

 

 

Apesar dos benefícios, muitas mulheres enfrentam dificuldades logo após o nascimento do bebê para amamentar. Segundo a especialista, grande parte desses desafios está relacionada à falta de orientação adequada. Informações sobre a pega correta, a posição do bebê e o apoio da família e dos profissionais de saúde fazem diferença para que a amamentação aconteça de forma mais segura.

“Uma mãe que fica disponível 24 horas por dia para o bebê precisa de muita ajuda e, principalmente, de orientação adequada. Quando as dificuldades aparecem, é importante buscar apoio para que a amamentação possa fluir de maneira correta”, ressalta.

 

Gesto que incentiva a solidariedade

 

Kamyla Campos amamenta o filho e também doa leite materno para ajudar bebês internados na UTI Neonatal.

A experiência da maternidade ganhou um novo significado para Kamyla Campos. Mãe de uma adolescente de 13 anos e de um bebê, ela conta que, na primeira gestação, não teve acesso às informações necessárias para manter o aleitamento materno pelo tempo que desejava. Desta vez, decidiu viver esse momento de forma diferente, aproveitando cada oportunidade de fortalecer o vínculo com o filho por meio da amamentação.

“Na época da minha filha, eu não tinha as informações que tenho hoje. Não amamentei ela pelo período que eu queria. Hoje, prefiro amamentar meu filho sempre que posso. Para mim, é um sentimento muito grande. É muito amor”, relata.

Incentivada pelo irmão, que trabalha há duas décadas na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, e pela irmã, que também já foi doadora de leite humano, Kamyla buscou informações sobre o processo de doação de leite e se tornou voluntária quando o filho tinha apenas 20 dias de vida. Hoje, além de alimentar o próprio bebê, ela contribui semanalmente para que outros recém-nascidos recebam esse alimento tão importante.

Para Kamyla, a doação é uma extensão do cuidado que dedica ao filho. “É muito gratificante. Eu nem consigo explicar o que isso significa, porque é um amor muito grande. Tanto pelo aleitamento do meu filho quanto pela doação. Todos os dias eu chego em casa com vontade de doar leite para os bebês que precisam. Em nenhum momento pensei em parar de fazer as doações”, relata.

 

Corrente de cuidado e amor

 

Por trás de cada frasco de leite doado existe uma rede de profissionais que acompanha todas as etapas do processo, desde o cadastro das doadoras até a chegada do alimento aos recém-nascidos internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Maternidade Nossa Senhora de Nazaré. O Banco de Leite Humano orienta as mães, realiza os exames necessários, processa o leite e garante que ele seja distribuído com segurança aos bebês que mais precisam.

 

 

A coordenadora do Banco de Leite Humano explica como funciona o processo de doação e distribuição do leite materno.

Segundo a coordenadora do Banco de Leite Humano, Silvia Rossetti, toda mulher que amamenta é uma potencial doadora, desde que esteja saudável e atenda aos critérios estabelecidos para a doação. “Se ela tiver excedente de leite materno, faz os exames e, estando tudo certo, entra no nosso quadro de doadoras ativas”, explica.

 

 

 

 

Depois da coleta, o leite passa por um rigoroso processo de pasteurização antes de ser destinado aos recém-nascidos internados na UTI Neonatal. “O leite materno é o alimento mais completo nutricionalmente. Quando pedimos doação de leite materno, estamos pedindo também vidas, porque esses bebês precisam sobreviver e precisam de leite humano”, reforça.

 

 

O projeto Bombeiros Amigos do Peito realiza a coleta domiciliar e o transporte do leite doado pelas mães voluntárias.

A iniciativa conta com a parceria do projeto Bombeiros Amigos do Peito, desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros Militar de Roraima e a Maternidade Nossa Senhora de Nazaré. Três vezes por semana, equipes percorrem diversos bairros de Boa Vista para recolher os frascos nas residências das doadoras e levá-los em segurança ao Banco de Leite.

 

 

 

 

Sargento Fábio Silveira

De acordo com o segundo-sargento Fábio Silveira, integrante do projeto, a equipe realiza, em média, entre 15 e 20 coletas por dia, recolhendo os frascos nas residências das doadoras e levando o leite em segurança até a maternidade. “Mesmo uma pequena quantidade de leite pode alimentar um bebê prematuro durante um dia. É um trabalho feito por amor e que ajuda a salvar vidas”, afirma.

 

 

Apoio à amamentação dentro da ALERR

 

Desde 2023, a Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) conta com uma sala de apoio à amamentação e coleta de leite humano. O espaço foi inaugurado durante a campanha Agosto Dourado, sendo um projeto pioneiro na Região Norte. Oferece acolhimento para deputadas, servidoras, terceirizadas e visitantes que estejam amamentando.

Além de proporcionar um ambiente reservado para a amamentação e a extração do leite, o local também funciona como ponto de coleta para doações destinadas ao Banco de Leite Humano da Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, fortalecendo a rede de apoio às mães e contribuindo para o atendimento de recém-nascidos internados na UTI Neonatal.

Leis direcionadas a amamentação em Roraima:

Lei Ordinária nº 2.138, de 08 de março de 2025: Dispõe sobre a obrigatoriedade, no âmbito do estado de Roraima, de que seja disponibilizado espaço destinado exclusivamente à amamentação e fraldário de recém-nascidos em instituições de ensino públicas e privadas de nível superior, e dá outras providências.

Lei Ordinária nº 1.558, de 23 de novembro de 2021: Estabelece o direito de as mães amamentarem seus filhos durante a realização de concursos públicos na administração direta e indireta no âmbito do Estado de Roraima.

Lei Ordinária nº 1.413, de 08 de junho de 2020: Institui o Dia Estadual do Aleitamento Materno, o mês de Agosto Dourado, e dispõe sobre a realização anual de ações relacionadas ao aleitamento materno durante o mês de agosto.
Lei Ordinária nº 1.294, de 29 de novembro de 2018: Autoriza a criação de instalação de salas de apoio à amamentação em órgãos públicos do Estado de Roraima.
Lei Ordinária nº 175, de 01 de julho de 1997: Dispõe sobre a política de aleitamento materno para o Estado de Roraima e dá outras providências.

Texto: Monica Gizele

Fotos: Marley Lima / Nonato Sousa

SupCom ALERR


Fonte e imagens: ALE-RR POR SUPERVISÃO DE COMUNICAÇÃO– Leia a matéria completa aqui

PUBLICIDADE

Leia também:

Bombeiros combatem incêndio de grandes proporções em Itaquaquecetuba

Postado em 5 de agosto de 2026

Especialistas defendem Cide para empresas de tecnologia sem substituir a remuneração de direitos autorais

Postado em 5 de agosto de 2026

CONCURSO ALERR
Fundação Carlos Chagas divulga resultado preliminar do concurso para técnicos da Assembleia Legislativa de Roraima

Postado em 5 de agosto de 2026